Pense numa mulher jovem, bonita, segura, confiante, poderosa, charmosa, independente e que cause inveja em todas as outras. Pensou? Então a imagem que veio a sua cabeça só pode ter sido a da boneca Barbie. Sim, a própria. Símbolo de uma geração e mito feminino, Barbie continua marcando época nas vidas de milhões de garotinhas ao redor do mundo – e, bom, por que não?, de alguns garotinhos.

Frequentemente, nós vemos alguns comerciais lançando mais um modelo da boneca, que, numa demonstração de total onipotência, consegue desempenhar todo tipo de profissão: Barbie Veterinária, Barbie Enfermeira, Barbie Rock Star e por aí vai. Mas o que acontece quando uma figura exemplar como a doce e, bom, por que não?, gostosa Barbie é desmistificada por meio da arte? Que tal ganhar como presente uma versão não muito ortodoxa da diva lúdica: a Barbie Stripper? Ou então, a Barbie “Sapatão”? Não são presentes que sua mãe lhe daria, com certeza. Talvez seu pai; se você for um menino.

Go, go! - O Natal está chegando, que tal rever seus conceitos?

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Mas, enfim, é justamente com o objetivo de tocar nas feridas da questão feminina que a artista plástica Patrícia Kaufmann realiza a exposição Máscaras do Mito, em exibição na Mônica Filgueiras Galeria de Arte até o dia 16 de outubro.

São 30 obras nos mais variados suportes (pinturas em acrílico, desenhos em papel e artesanato). Mais do que trabalhar com o humor, Patrícia é crítica em seu trabalho: temas como a erotização infantil, a submissão feminina e a busca ilógica por um padrão único de beleza não escapam de seu olhar.

Tomo por minhas palavras o que disse Katia Canton, professora da ECA-USP (Escola de Comunicação de Artes da Universidade de São Paulo), numa crítica sobre a mostra: “Pois se o modelo de beleza feminina é uma boneca, cujas proporções são impossíveis de serem reproduzidas em mulheres reais, estamos todas projetando no espelho a imagem idealizada de um ser plástico, vendido juntamente com outros valores acoplados em seus acessórios e modelos: a roupa de grife que ela usa, a Ferrari que ela conduz, o sapato de salto altíssimo, o penteado blonde alisado e brilhante, o iPod da moda”.

Barbie e sua "amiguinha"

Barbie e sua "amiguinha"

Na peça Playboy, o visitante poderá conferir a Barbie como capa da mais famosa revista masculina do mundo. Já na contra-capa, uma Barbie usuária de drogas. Um sucesso de vendas? Em alguns desenhos da artista, a boneca é retratada com tendências homossexuais, afinal, Barbie também é mente-aberta. Por fim, numa outra instalação, intitulada Go, go!, Barbie mostra toda sua flexibilidade numa demonstração de pole-dance. Nem Alzira conseguira fazer igual!

De fato, Máscaras do Mito tem um ar de fascinação. Retrata a queridinha das menininhas e dos mulherões nos mais diversos momentos, menos nos mais imagináveis.

SERVIÇO:

Máscaras do Mito
Onde: R. Bela Cintra, 1533, Jardins, tel: 3082-5292.
Quando: De segunda a sexta, das 10:00 às 19:30. Sábados, das 10:30 às 15:00.