Todo tipo de arte, independentemente do estilo e da técnica que empregue, é parte de um único grande movimento: o criativo. Arte que é arte precisa sempre se renovar ou permitir que seu sentido renove-se com o passar do tempo – tarefa essa digna dos clássicos.

Obra de Henrique Oliveira

Apresentei tudo isso para falar da mostra Nova Arte Nova, em exibição até abril no Centro Cultural Banco do Brasil. Com curadoria de Paulo Venâncio Filho, A exposição apresenta um amplo panorama da arte contemporânea brasileira do século XXI. Reúne cerca de 80 obras, em sua maioria inéditas, de 63 jovens artistas, representando 15 estados brasileiros. Por meio de diversas expressões artísticas como pintura, vídeo, colagem, instalações, esculturas e desenhos, o visitante pode vislumbrar as associações, afinidades e oposições entre formas, técnicas e linguagens.

SERVIÇO:

Nova Arte Nova
Onde: R. Álvares Penteado, 112, tel: 3113-3651.
Quando De terça a domingo, das 10:00 às 20:00 horas. ATÉ 05/04.

Para quem nunca ouviu falar, "Repeat All" é uma mostra itinerante de videoarte, inaugurada em 2006, que finalmente chega ao Brasil, mais precisamente no Museu da Imagem e do Som do Estado de São Paulo. O título, que em português significa "Repetir Tudo"  (numa tradução livre), questiona a repetição na produção artística dos dias de hoje.

Imagens de satélite da Nasa que mudam de cor acompanhadas por música eletrônica

Nela, 14 artistas e coletivos tentam reinventar cenas típicas da pintura a óleo, porém sobre uma nova plataforma: o audiovisual. Entre documentários, animações, clipes, performances e obras de ficção pode-se notar a infinita criatividade que atinge em cheio esse gênero artístico.

SERVIÇO:

Repeat All
Onde: Av. Europa, 158, Jd. Europa, tel: 2117-4777.
Quando: Todos os domingos, das 11:00 às 18:00 horas. Até 29/03.

Bom, os jogos olímpicos já passaram e você, caro leitor, deve ter lido, assistido e escutado diversas reportagens na imprensa sobre os costumes e as tradições chinesas. Foi tanta informação transmitida que já podemos nos considerar, praticamente, cidadãos “naturalizados” chineses.

No entanto, se na mídia só deu China, no campo das artes a grande potência em desenvolvimento foi ofuscada por seu rival oriental: o Japão. Devido ao centenário da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, o campo das artes foi agraciado com inúmeras exposições de artistas japoneses.

"I Love You", pintura a óleo de Chen Bo

Mas agora, a China ganha seu espaço no mundo das exposições. Em cartaz no MASP até o dia 15 de fevereiro, a mostra China: Construção – Desconstrução apresenta 45 obras de 17 artistas contemporâneos chineses, quase todas criadas em virtude da exposição.

Telas, instalações, fotografias e esculturas compões o espaço expositivo, complementado também por um vídeo lounge e uma obra conceitual interativa.

SERVIÇO:

China: Construção – Desconstrução
Onde: Av. paulista, 1578, tel: 3251-5644.
Quando: Todas as terças-feiras, das 11:00 às 18:00.

A menos que você compartilhe do mesmo código genético de Poliana, existem diversas coisas no mundo que lhe incomodam. Desde aquele tio fofoqueiro, o chefe rabugento, a vizinhas que se faz de difícil até grandes questões que entravam o pleno desenvolvimento humano, como a fome no mundo, a degradação ambiental, as guerras frequentes e por aí vai.

Resumindo, há diversas “pragas” que afligem a raça humana, tal como já ocorrera nos relatos bíblicos. Pois é justamente essa a inspiração de Mundus Admirabilis e Outras Pragas, composta por trabalhos da artista plástica gaúcha Regina Silveira, em exposição na Galeria Brito Cimino. São 13 obras entre adesivos, instalações, objetos de madeira, tapeçaria, porcelana e alguns recursos multimídia, que se utilizam de animais daninhos para atualizar visualmente as antigas pragas bíblicas. A artista propõe uma reflexão sobre o tema através de trabalhos que podem ser vistos como metáforas não-lineares das pragas, muito mais danosas dos dias atuais.

O exercício reflexivo da artista foi o de tentar entender os significados originariamente agrários das pragas bíblicas e deslocá-los para o patamar maior dos males globais que hoje nos afligem. No lugar de gafanhotos, granizo, peste, são sugeridas idéias sobre a contaminação do cotidiano, a violência, a deterioração ambiental, a corrupção, o fanatismo e congêneres.

SERVIÇO:

Mundus Admirabilis e Outras Pragas
Onde: R. Gomes de Carvalho, 842, Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04547-003
Telefone: 3842-0635.
Quando: de terça a sexta-feira, das 10:00 às 19:00. Sábados, das 11:00 às 17:00. Até 13/12.

“O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno”

(Autor desconhecido)

Ah, o amor… sempre ele. Aparece nas nossas vidas quando a gente menos espera e, então, custa a sair. Mas quando sai, jamais é para sempre. Ainda bem.

O amor, talvez, seja a maior inspiração dos artistas. E é justamente dessa fonte que bebem as obras da mostra Colección Visible – Histórias de Amor. Em 2004, na Espanha, enquanto o governo local debatia a liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o artista plástico Pablo Periado reuniu 170 trabalhos vindos de 25 países que defendiam a liberação.

Obra de Esther Rivuelta - Si, Quiero, de 2005

Gravura de Esther Rivuelta - Sí, Quiero, de 2005

Em 2008, no Brasil, algumas dessas obras – entre pinturas, fotografias, quadrinhos, colagens e gravuras – foram escolhidas para exibição no Museu de Arte Contemporânea da USP, o MAC. “São 90 obras que refletem a característica da coleção: tratar exclusivamente do desejo e da sexualidade humana em sua face mais abafada, a do amor entre iguais”, como bem aponta a organização do evento.

Para Pablo Peinado, curador da mostra, “a Colección Visible é um antídoto cultural contra a homofobia, a lesbofobia e a transfobia. É arte cúmplice de uma causa justa. A causa da liberdade e da democracia. A causa de todos os seres humanos de terem, no amor e em tudo o mais, os mesmos direitos”.

Ocorre, também no MAC, a exposição “Entre Amigos & Amores”, que convida o visitante a olhar para 100 imagens do fotógrafo Pedro Stephan – especializado na temática homossexual -, tiradas em diferentes locais da cena LGBT fluminense.

As duas montagens são parte da programação do 4º Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (que aconteceu entre os dias nove e doze de setembro) e do 1º Encontro Hispano-Brasileiro de Militantes Homossexuais, que acontece, também no MAC, até o dia nove de outubro.

As exposições têm temática adulta, por isso, são recomendadas para maiores de 18 anos.

SERVIÇO:

Colección Visible – Histórias de Amor
Onde: Parque do Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Pavilhão da Bienal, 3º andar, tel: 5573-9932.
Quando: De terça a domingo, das 10:00 às 18:00. Até 19/10.

Já falamos um pouco sobre programação abordando as culturas judaica e árabe. Agora, é a vez da comunidade coreana mostrar a sua cara. Em exibição até o dia 21 de setembro, a mostra Estado de Exceção – Venha Ver a Coréia (Ver Você) tem como objetivo “investigar o imaginário da comunidade coreana em São Paulo e questionar estereótipos e preconceitos, em obras de dez artistas e designers, naturais  da Coréia do Sul, Brasil e Itália”.

A mostra pode ser vista no Paço das Artes e tem curadoria de Marcelo Rezende. Ela é composta de vídeos, vídeo-instalações, instalações e instalações fotográficas, arranjadas com um especial descuido ao longo do espaço, como se fossem diversas manifestações artísticas. Segundo o curador, o formato de uma manifestação é o apropriado porque “não é representativa, não é explicativa, não é ilustrativa. A manifestação acontece”.

Uma das obras mais intrigantes é a do paulistano Marcelo Reginato. Para simbolizar a união entre as duas comunidades, ele criou uma escultura no formato de duas grandes colméias. Cada uma traz, em seu interior, um incenso diferente: um de erva brasileira e outro de erva oriental. Ambas estão dispostas em sentido horizontal, em níveis diferentes, sem contato entre si. Enquanto os incensos queimam, suas fumaças e cheiros se misturam. Ao cair no chão, suas cinzas se fundem. O artista parte da simbologia do processo de queima para ilustrar o longo processo de quebra da insensibilidade, do esquecimento e do estado de exceção. A proposta é mostrar que o contato entre dois universos distintos é inevitável, mesmo que invisível (representa o pela mistura dos aromas dos incensos).

Já na ficção “Mamãe, Papai, Eu Sou Um…” de Wagner Morales, uma situação familiar se converte, a cada seqüência, em episódios raciais, sociais e econômicos.

A comunidade coreana começou seu movimento de vinda a São Paulo em 1963. Hoje, já são mais de 50 mil ma cidade, sendo que 70% deles concentram-se nos bairros da Aclimação, da Liberdade e do Bom Retiro. “Apesar dos dados estatísticos, a comunidade coreana é entendida pela cidade como estado de exceção permanente, sempre à espera de uma efetiva integração”.

SERVIÇO:

Estado de Exceção – Venha Ver a Coréia (Ver Você)
Onde: Av. da Universidade, 1, Cidade Universitária, tel: 3814-4832.
Quando: De terça á sexta (das 11:30 às 19:00). Sábados, domingos e feriados (do 121:30 às 17:30). Fecha às segundas.