Todo tipo de arte, independentemente do estilo e da técnica que empregue, é parte de um único grande movimento: o criativo. Arte que é arte precisa sempre se renovar ou permitir que seu sentido renove-se com o passar do tempo – tarefa essa digna dos clássicos.

Obra de Henrique Oliveira

Apresentei tudo isso para falar da mostra Nova Arte Nova, em exibição até abril no Centro Cultural Banco do Brasil. Com curadoria de Paulo Venâncio Filho, A exposição apresenta um amplo panorama da arte contemporânea brasileira do século XXI. Reúne cerca de 80 obras, em sua maioria inéditas, de 63 jovens artistas, representando 15 estados brasileiros. Por meio de diversas expressões artísticas como pintura, vídeo, colagem, instalações, esculturas e desenhos, o visitante pode vislumbrar as associações, afinidades e oposições entre formas, técnicas e linguagens.

SERVIÇO:

Nova Arte Nova
Onde: R. Álvares Penteado, 112, tel: 3113-3651.
Quando De terça a domingo, das 10:00 às 20:00 horas. ATÉ 05/04.

Como alguns já devem ter reparado, o brasileiro às vezes tende a ver aquilo que é oriundo do seu país ou da região da América Latina como algo de menor valor em relação àquilo que vem dos chamados países do primeiro mundo (EUA, Japão ou os europeus, por exemplo).

Mujeres Com Guitarra, de Codelia Urueta Justamente por isso faço questão de divulgar a mostra Latitude: Mestres Latino-Americanos na Coleção FEMSA, exibida no Instituto Tomie Ohtake. Com curadoria de Rosa María Rodríguez Garza, o espaço reúne 41 obras de artistas latino-americanos que representam, por meio das diversas manifestações de artistas renomados, a pluralidade cultural da América Latina e Caribe. A Coleção FEMSA é composta por obras provenientes da Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México, Nicarágua, Uruguai e Venezuela, de artistas vanguardistas do início do século XX, do pós-guerra e da década de oitenta do século passado.

A exposição revela a influência do cubismo nos pintores latino-americanos, o retrato
e a paisagem como testemunhos da identidade, o aporte estético da América como arte universal e a incorporação do surrealismo na plástica latino-americana.

SERVIÇO:

Latitude: Mestres Latino-Americanos na Coleção Femsa
Onde: Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, tel: 2245-1900.
Quando: De terça a domingo, das 11:00 às 20:00 horas. ATÉ 05/04.

Para quem nunca ouviu falar, "Repeat All" é uma mostra itinerante de videoarte, inaugurada em 2006, que finalmente chega ao Brasil, mais precisamente no Museu da Imagem e do Som do Estado de São Paulo. O título, que em português significa "Repetir Tudo"  (numa tradução livre), questiona a repetição na produção artística dos dias de hoje.

Imagens de satélite da Nasa que mudam de cor acompanhadas por música eletrônica

Nela, 14 artistas e coletivos tentam reinventar cenas típicas da pintura a óleo, porém sobre uma nova plataforma: o audiovisual. Entre documentários, animações, clipes, performances e obras de ficção pode-se notar a infinita criatividade que atinge em cheio esse gênero artístico.

SERVIÇO:

Repeat All
Onde: Av. Europa, 158, Jd. Europa, tel: 2117-4777.
Quando: Todos os domingos, das 11:00 às 18:00 horas. Até 29/03.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) abre seu calendário de exposições de 2009 com a mostra Atenção: Estratégias Para Perceber a Arte, sob curadoria de Cauê Alves. A mostra estabelece uma imersão poética nas implicações da arte como forma de mediação entre o homem e o mundo, em contraponto a uma visão cientificista, por meio de 52 obras de vários artistas e diversos suportes selecionadas no acervo do MAM.

Segundo o curador, a arte se contrapõe à ciência como forma de compreensão e captação do mundo por um viés subjetivo, sem a preocupação de se concentrar em dogmas ou verdades absolutas e, dessa forma, livre e inesgotável. Para traduzir essa idéia poeticamente, três núcleos temáticos abordam diferentes aspectos da questão.

MAM 

Em Origens, o que se investiga é a pluralidade da percepção com relação ao fazer artístico e o constante embate entre o cientificismo e a liberdade na arte. Já em Desdobramentos, artistas das vanguardas dos anos 60 em diante usam o gesto como
forma de atingir os sentidos. Principal ferramenta de percepção do homem, o Corpo é outra vertente da mostra, em seu papel de receptor dos estímulos propostos pela arte e de acesso à alma.

SERVIÇO:

Atenção: Estratégias Para Perceber a Arte
Onde: Parque do Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 3, tel: 5085-1300.
Quando: Todos os domingos. Das 10:00 às 18:00 horas. Até 23/03.

Obra de Walter Nomura

Anteontem foi o último dia para visitar a exposição Trimassa, que rolou na Choque Cultural. Mas se você acha que a sua cota de arte urbana acabou, você está geometricamente enganado.

Particularmente, eu aprecio muito a chamada street art (navegue pelos hiperlinks e se divirta). Desde quando eu ajudei uma amiga minha no seu trabalho de conclusão de curso, em que ela precisava editar uma revista sobre grafite, comecei a entender melhor o espírito da coisa e acabar com certas visões pré-definidas.

Bom, indo direto para o que interessa, desde o dia 27 de outubro, a Galeria Bergamin recebe a exposição Contra O Verso, que reúne obras de oito artistas brasileiros e com curadoria de Carmo Marchetti. São apresentados diversos trabalhos entre pintura, desenho, escultura, colagem e fotografia, além de intervenções feitas diretamente no espaço da galeria.

Obra de Herbert Baglione

Obra de Herbert Baglione

Os artistas Bruno Novelli, Flavio Samelo, Felipe Yung, Herbert Baglione, Francisco Rodrigues da Silva, Alex Hornest, Alexandre Cruz e Walter Nomura, com estratégias e propostas diferentes, trazem para a exposição o resultado do processo de transferência do trabalho de cada um para o espaço expositivo da galeria, assumindo assim uma nova dinâmica de relações com o público de arte contemporânea. Guardam referências contextuais e estéticas dos movimentos ligados à contracultura: o grafitti, o punk, o hip-hop, o skate urbano, fanzines, stickers, lambe-lambe e pichação.

Contra O Verso da arte conceitual, caminha em direção ao minimalismo reducionista. Valida a arte do feito à mão. Resgata o desenho, a pintura, a escultura, a colagem a fotografia. A superfície da obra assume papel relevante. A imagem é o fio condutor de idéias. No suporte, a relação do artista torna-se física e gestual. A narrativa é resposta às reflexões pertinentes às dialéticas urbanas.

Obra de Flávio Samelo

Obra de Flávio Samelo

Fotos e parte do texto: Balady Comunicação.

SERVIÇO:

Contra o Verso
Onde: R. Rio Preto, 63. Jardim Paulista, tel: 3062-233.
Quando: De segunda a sexta-feira, das 11:00 às 19:00. Sábados, das 11:00 às 15:00. Até 29/11.

É bem provável que você já deva ter enjoado de ler posts meus falando sobre exposições fotográficas. Quem vê, pensa que eu só falo disso ou que meus posts são patrocinados pela Kodak.

Para não perder a mania, eu apresento dessa vez a mostra A Cidade e Suas Margens, em exibição no Museu da Casa Brasileira até o dia 26 de novembro. Nela, a artista plástica Elisa Bracher expõe 70 imagens da Favela da Linha, localizada na zona oeste de São Paulo, e de algumas cidades do Nordeste, de onde virão alguns de seus moradores.

A mostra busca refletir sobre as condições improvisadas de habitações na metrópole, que embora precárias e feitas com resíduos e materiais industrializados disponíveis, revelam inventividade expressiva de soluções. Além disso, a mostra traz um olhar incomum sobre as favelas, que normalmente são vistas como redutos de pobreza onde reina a homogeneidade de construções. Trilhando o caminho contrário, Elisa buscou registrar momentos em que a comunidade revela suas singularidades, exprimindo a criatividade de seus moradores nas formas e cores das casas e barracos.

Também estará em exibição um DVD com aproximadamente meia hora de duração, que documenta a visita de Elisa Bracher às famílias dos moradores da Favela da Linha em 16 localidades do Nordeste.

SERVIÇO:

A Cidade e Suas Margens
Onde: Av. Brigadeiro Faria Lima, 2075, Pinheiro, tel: 3032-3727.
Quando: Todos os domingos, das 10:00 às 18:00. Até 16/11.

A menos que você compartilhe do mesmo código genético de Poliana, existem diversas coisas no mundo que lhe incomodam. Desde aquele tio fofoqueiro, o chefe rabugento, a vizinhas que se faz de difícil até grandes questões que entravam o pleno desenvolvimento humano, como a fome no mundo, a degradação ambiental, as guerras frequentes e por aí vai.

Resumindo, há diversas “pragas” que afligem a raça humana, tal como já ocorrera nos relatos bíblicos. Pois é justamente essa a inspiração de Mundus Admirabilis e Outras Pragas, composta por trabalhos da artista plástica gaúcha Regina Silveira, em exposição na Galeria Brito Cimino. São 13 obras entre adesivos, instalações, objetos de madeira, tapeçaria, porcelana e alguns recursos multimídia, que se utilizam de animais daninhos para atualizar visualmente as antigas pragas bíblicas. A artista propõe uma reflexão sobre o tema através de trabalhos que podem ser vistos como metáforas não-lineares das pragas, muito mais danosas dos dias atuais.

O exercício reflexivo da artista foi o de tentar entender os significados originariamente agrários das pragas bíblicas e deslocá-los para o patamar maior dos males globais que hoje nos afligem. No lugar de gafanhotos, granizo, peste, são sugeridas idéias sobre a contaminação do cotidiano, a violência, a deterioração ambiental, a corrupção, o fanatismo e congêneres.

SERVIÇO:

Mundus Admirabilis e Outras Pragas
Onde: R. Gomes de Carvalho, 842, Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04547-003
Telefone: 3842-0635.
Quando: de terça a sexta-feira, das 10:00 às 19:00. Sábados, das 11:00 às 17:00. Até 13/12.